Campus de Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 24 de abril de 2015
Livro de ex-professor da UENP-CCP será lançado na SELLITCON
São contos, ensaios e crônicas

Porto do Destino é o título do livro de Rames Kalluf, ex-professor da área de Ciências Exatas, que terá seu lançamento oficial na II SELLITCON.

Professor Rames nasceu na capital paranaense, Curitiba. É um estudioso, graduando-se em Direito, em Ciências Econômicas e em Licenciatura em Ciências. Mas o início de seus estudos especializados foi na área favorita: a artística, no curso de Desenho e Pintura da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (embora não o tenha concluído). Lecionou durante trinta anos em escolas do ensino básico e na Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de C. Procópio, nas áreas de Ciências Exatas, Biológicas e Humanas. Aprecia música, cinema, leitura e artes plásticas. Atualmente, com 79 anos, continua escrevendo contos, crônicas, ensaios e poesias, além de desenhar e pintar diletantemente. Escreve há muitos anos, mas é a primeira vez que publica um livro.

Na "Apresentação" da obra, comentou a Dra. Marilu Martes Oliveira (UTFPR e UENP): "Porto do destino: contos e ensaios [...] leva-nos a cantarolar com o grupo Engenheiros do Hawaii: "Há um porto escondido no coração do viajante". Assim é que o autor nos incita a viajar, apaixonadamente, por 27 textos que, surpreendentes e ricos, nos encantam a cada linha, a cada parágrafo, buscando avidamente o porto/texto seguinte."

E prossegue: "Meu coração navegou aceleradamente por mares já navegados, reconhecendo amigos, matando saudade, mas alguns, agora vistos com outros olhos – 'o olhar do estrangeiro', de que fala Nelson Brissac Peixoto – porém também naveguei por terras insuspeitadas, descobertas pelas mãos de Kalluf, escritor de primeira linhagem. É esse olhar que, num mundo de simulacros como o nosso, desvenda realidades, mostra-se perplexo, realiza digressões espirituosas, profundas, sentimentais, melancólicas, filosóficas, ensinando-nos não só a VER, mas a OLHAR 'aquilo que os que lá estão não podem perceber', pois nosso olhar acostuma-se à paisagem, tudo se banaliza."

"E este é o gancho para a narrativa 'Ben Mioh de Copropioh', na qual a condição feminina é posta em xeque, assim como os valores da sociedade patriarcal árabe e a difícil arte de se criar filhos (de caráter universal), colocados com fino humor – 'A vida te ensinará tudo mais tarde. Enquanto isso, não te fies nas mulheres e nos loucos. E agora anda, filho' –, aliados aos chistes, à habilidade estilística e às digressões existenciais."

Prosseguinda na linha analítica, Dra. Marilu cita: "Em contraponto a tanta paz e meditação, explode o thriller 'A boa e segura vida na cidade grande', cujo fulcro é os cortiços que medram nos casarões antigos, tombados pelo patrimônio histórico, no qual a história de amor, bem construída e de

desfecho inesperado é o triângulo marido, mulher e amante gay. Melhor cenário, não poderia! 'É o quarto de despejo em que somem as culpas, as vergonhas e a incompetência de cada um.'"

"Outro texto surpreendente é 'Macho em extinção'", comenta a professora. "A partir desse título brincalhão, com extrema erudição, nosso autor vai de Engels às gregas amazonas guerreiras; de Heródoto, o pai da História, ao 'forçudo' semideus Hércules que realizou, sem dificuldades, os doze trabalhos que todos julgavam impossíveis; de Barbarella, iconizada na telona pela sempre linda Jane Fonda, ao desbravador Orellana que dizia ter chegado ao nosso mais caudaloso rio, quando a selva era ainda mais densa e intransponível."

Em outro ponto, afirma: "E Rames Kalluf, não só nos contos, mas nos ensaios (e algumas crônicas…), torna-se, assim, um viajante do tempo e do espaço, transitando pelas mais variadas áreas: Filosofia, Literatura, Música, Pintura, Escultura, História, Psicologia, Sociologia, línguas estrangeiras (Latim, Inglês, Francês, Árabe), Ciências, Religião, Economia, Mitologia, Geografia..."

Suas páginas são de leitura extremamente agradável, pois ele é culto sem preciosismos. Como no seu cotidiano, sempre simples, cortês e afável, também sua escritura é assim.

E o professor Rames usa dessa sabedoria em seus textos, ainda que não de forma óbvia. Não foi aleatória a opção por escrever sobre "A palavra e seu significado", onde coloca: "A palavra é um instrumento contundente, mas também cortante e perfurante, capaz de dar certa expressão a um pensamento, enquanto a verdadeira intenção dissimula". E como bom professor de Arte, que sempre foi, nosso autor conceitua, interrogando: […] "o que é a escrita senão uma espécie de desenho que comunica?" ("Desenho instrumental").

Fonte: CLCA

Prof. Rames apresentando seu livro à Dra. Vanderleia Silva Oliveira, Diretora da UENP - <i>campus</i> de Cornélio Procópio Prof. Rames apresentando seu livro à Dra. Vanderleia Silva Oliveira, Diretora da UENP - campus de Cornélio Procópio