Campus de Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 24 de julho de 2016
CINUENP: o que interessa mais, um assalariado ou um escravo?
O colonialismo posto a nu

Um clássico do cinema político, dirigido por Gillo Pontecorvo, em 1969, é a atração desta segunda-feira, 25/07, do CINUENP. Com início às 15 horas, estão convidados para comparecer ao anfiteatro do PDE, na Unidade Campus da UENP-CCP. O filme terá comentários e debates coordenados pelo professor Celso Davi Aoki, do colegiado de Administração (CCSA).

"No começo do século XIX, um agente mercenário do imperialismo inglês é enviado, para a ilha caribenha de Queimada, colônia portuguesa. Sua missão era articular uma revolta de escravos, com uma conspiração dos latifundiários locais em prol da independência, para assim melhorar o comércio de açúcar britânico, dispensando a intermediação dos portugueses. Ao chegar, fica ciente de que a revolta foi sufocada e assiste a execução de seu líder. Na iminência de abortar a missão, vê a possibilidade de formar uma nova liderança, para iniciar outra revolta da população escrava, que levará o país à independência. Anos mais tarde, ele é reenviado, pela companhia britânica que explorava o comércio do açúcar na Ilha, para conter uma rebelião dos trabalhadores 'livres' das plantações de cana."

"O filme, ambientado na fictícia Queimada, é uma metáfora sobre colonialismo e imperia-lismo, dos processos de 'independência' das colônias do Caribe e outras iberoamericanas; há alusões às revoltas de escravos do Haiti e Jamaica no século XIX, bem como ao processo de expulsão de camponeses, pelo incêndio de florestas, plantações e vilarejos, que eram promovidas na época, no final dos 1960,

FICHA TÉCNICA

Título: Queimada (1969)
Diretor: Gillo Pontecorvo
Gênero: Drama
País de origem: Itália - França
Duração: 112 min
Colorido
Formato da tela: 1.60:1 (widescreen)

Fonte: IMDb

em pleno século XX, com o uso de napalm pelos americanos, para combater a guerrilha no Vietnã. O nome do personagem principal é uma referência ao flibusteiro William Walker, um aventureiro americano que se tornou, em 1856, 'presidente' da Nicarágua."

Fonte: GGN O jornal de todos os brasis

Assista ao trailer:

GILLO PONTECORVO foi do Partido Comunista Italiano, rompeu em 1956 por causa da ocupação da Hungria, mas sempre se definiu como de esquerda e marxista. Era o cineasta de A Batalha de Argel: o tema do colonialismo não lhe chegou com Queimada. Vinha de uma família judia não praticante. Dois de seus irmãos, Guido, geneticista, e Bruno, físico, foram eminentes cientistas. Bruno foi assistente de Enrico Fermi, por suas idéias socialistas foi recusado no Projeto Manhattan, mas veio a trabalhar no projeto da bomba nuclear britânica com Klaus Fuchs; quando este caiu como espião, teve de se mandar para a União Soviética. Os franquistas tinham motivos de sobra para censurarem filmes de Pontecorvo, não seria o detalhe da fala espanhola numa das sua fitas o preponderante, daí ser bobagem a história de que improvisou o português no roteiro do filme, para 'agradar', quem ele jamais se prestaria agradar, o fascismo espanhol e todos assemelhados.

Por último, mais duas coisitas. Pontecorvo é impiedoso com a revolta pela revolta dos escravos; mostra seus limites, a frustração de um projeto que persegue a libertação, dentro dos marcos da civilização burguesa, desarticulado de qualquer interação internacional solidária. Acusam o filme de panfletário, mas qual é o filme político que não é um panfleto?

(N. Almeida)

Visitantes:



Compartilhe no LinkedIn