Campus de Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 30 de novembro de 2016
Arqueologia: Rituais funerários em Lapa do Santo, MG

Povos antigos extraim os dentes, enfiavam ossos quebrados em crâneos humanos e descarnavam cadáveres como parte de um elaborado rutual funerário na América do Sul, uma descoberta arqueológica acaba de revelar.

O sítio de Lapa do Santa, no Brasil, contém uma quantidade de restos humanos que foram elaboradamente modificados pelos primitivos habitantes do continente há cerca de 10.000 anos, mostra a nova pesquisa. As descobertas mudam o retrato da sofitiscação desta cultura, afirma o autor do estudo, André Strauss, pesquisador do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária, em Leipzig, Alemanha.

"Ao reconstruir a vida de antigos povos, túmulos humanos são extremamente informativos sobre o comportamento simbólico e ritualístico", disse Strauss em um depoimento. "Neste aspecto, o registro funerário apresentado nesta pesquisa destaca que os grupos humanos que habitavam a região leste da América do Sul há

10.000 anos eram mais diversificados e sofisticados do que se pensava.

O sitío de Lapa do Santo, uma gruta nas profundezas da floresta tropical do centro-oeste brasileiro, mostra evidências de ocupação humana retroativas a quase 12.000 anos. Os arqueologistas encontraram um conjunto de restos humanos, ferramentas, sobras de antigas refeições e até mesmo imagens de um homem com um falo gigantesco na caverna de 1.300 metros quadrados. A enorme caverna de calcário está na mesma região onde os arqueólogos descobriram "Luzia", um dos mais antigos esqueletos humanos conhecidos do Novo Mundo, informou a publicação Live Science.

No século 19, o naturalista Peter Lund foi o primeiro a pesquisar a região, que guarda alguns dos mais antigos esqueletos na América do Sul. Mas mesmo tendo os arqueologistas tropeçado em centenas de esqueletos desde então, poucos notaram uma estranha característica:

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Mais fotos Live Science

muitos dos corpos foram modificados após a morte.

Em sua recente escavação arqueológica, Strauss e seus colaboradores olharam com mais cuidado para alguns dos restos mortais encontrados na Lapa do Santo. Descobriram que, iniciando entre 10.000 e 10.400 anos atrás, os antigos habitantes da região enterravam seus mortos como esqueletos inteiros.

Mas 1.000 anos depois (entre aproximadamente 9.600 e 10.400 anos atrás), as pessoas começaram a desmembrar, mutilar e descarnar os corpos ainda "frescos" antes de enterrá-los. Os dentes foram extraídos sistematicamente dos crâneos. Alguns ossos mostram evidências de terem sido queimados ou canibalizados antes

de serem colocados dentro de outro crâneo, os arqueólogos relataram na edição de Dezembro (2016) da revista Antiquity.

"A forte ênfase na redução de cadáveres recentes explica porque estas fascinantes práticas funerárias não foram identificadas durante os quase dois séculos de pesquisas na região", disse Strauss.

A equipe não descobriu nenhuma outra forma de prática funerária, como lápides ou artefatos tumulares. Pelo contrário, disseram os pesquisadores, parece que esse processo específico de desmembramento e mutilação do corpo era o ritual central usado por este povo antigo para celebrar os mortos.

Texto de Tia Ghose (LiveScience)
Trad. N. C. Braga

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