Campus de Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 21 de agosto de 2020
Maria Quitéria de Jesus, heroína brasileira
Há 167 anos morria esta valente brasileira

Há 167 anos, na data de hoje, morria Maria Quitéria de Jesus Medeiros (1792-1853), heroína na luta pela independência do Brasil. Ela teve atuação destacada em lutas importantes e foi condecorada com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul, ordem honorífica brasileira criada em 1º de dezembro de 1822 pelo imperador Dom Pedro I.

Maria Quitéria, filha do português Gonçalo Alves de Almeida e de Joana Maria de Jesus, nasceu na fazenda Serra da Agulha, na freguesia São José de Itapororocas (hoje Feira de Santana), na Bahia, em 27 de julho de 1792. Sua mãe morreu quando a filha tinha apenas dez anos.

Após a morte da mãe, Quitéria assumiu a casa e cuidou de seus dois irmãos. Seu pai casou pela segunda vez, mas logo ficou viúvo. Casou novamente e teve mais três filhos. Sua nova esposa não apoiava o comportamento independente de Maria Quitéria: não frequentou escola, dominava a montaria, caçava e manejava armas de fogo.

Deflagradas as lutas de apoio à independência em 1822, o Conselho Interino do Governo da Bahia defendia o movimento e procurava voluntários para suas tropas.

Maria Quitéria, interessada em se alistar, pediu permissão ao pai, mas teve seu pedido negado. Com o apoio de sua irmã, Tereza Maria, e do cunhado, José Cordeiro de Medeiros, Quitéria cortou o cabelo, vestiu-se de homem e se alistou com o nome de Medeiros, no batalhão dos "Voluntários do Príncipe Dom Pedro".

Retrato póstumo de Maria Quitéria de Jesus Medeiros, 1920, de Domenico Failutti. (Fonte: Wikipédia)

Em fins de 1822, Maria Quitéria figurava entre os soldados do Batalhão dos Voluntários do Príncipe D. Pedro, e que depois foi incorporado à Primeira Divisão de Direita. É esse mesmo batalhão que recebe mais tarde o nome de "Periquitos" - por serem de cor verde suas fardas. No dia 31 de março de 1823, Maria Quitéria, já então cadete, recebe uma espada e seus acessórios.

Depois de duas semanas, Quitéria foi descoberta pelo pai, mas o major José Antônio da Silva Castro não permitiu que ela fosse desligada, pois era reconhecida pela disciplina militar e pela facilidade de manejar as armas. Maria Quitéria seguiu com o Batalhão para vários combates. Participou da defesa da Ilha da Maré, da Pituba, da Barra do Paraguaçu e de Itapuã.

No dia 2 de julho de 1823, quando o "Exército Pacificador" entrou na cidade de Salvador, Maria Quitéria

Igreja do Santíssimo Sacramento e ossário onde repousa Maria Quitéria

marchava com o seu batalhão, sendo saudada e homenageada pela população. Tornou-se exemplo de bravura nos campos de batalha.

Terminada a campanha, Maria Quitéria foi para o Rio de Janeiro. Sua presença na corte causou grande agitação: seu curioso uniforme militar, calça, saiote de lã, fardeta, quepe e espada, o distintivo dos Voluntários, e a fama, que logo se espalhou, de sua coragem e de seus feitos, tudo atraia a atenção dos habitantes da Capital do Império. Foi condecorada com a "Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul", em uma audiência especial em que recebeu a medalha das mãos do próprio Imperador Dom Pedro I. Foi promovida a Alferes de Linha.

Reformada com o soldo de alferes, Maria Quitéria voltou para a Bahia com uma carta do Imperador, dirigida a seu pai, pedindo que ela fosse perdoada pela desobediência. Casou-se com um namorado antigo, o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição.

Homenagem filatélica a Maria Quitéria de Jesus Medeiros, em 1953, centenário de sua morte

Quando ficou viúva, Maria Quitéria mudou-se para Feira de Santana para tentar receber parte da herança do pai, que havia falecido em 1834. Com a morosidade da justiça, Quitéria desistiu do inventário e foi com a filha para Salvador.

Maria Quitéria de Jesus Medeiros faleceu em Salvador, Bahia, em 21 de agosto de 1853. Morreu quase cega e em total anonimato. Seus restos mortais estão sepultados no ossário da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento no bairro de Nazaré em Salvador. Em 1996, o Estado brasileiro atribuiu-lhe o título de patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.

Fonte: "Frases e Músicas"
Mais informações: Maria Quitéria, Wikipédia

 

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