Campus de Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 29 de abril de 2021
História: Submarinos inimigos no Brasil na 2ª Guerra Mundial
Ataques a navios brasileiros em nossa costa

O Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial após o torpedeamento de navios brasileiros em nossas costas por submarinos alemães.

Até 1937, o Brasil ainda mantinha relações cordiais com a Alemanha nazista. Em janeiro de 1942, o país rompeu relações diplomáticas com a Alemanha de Hitler, o que o colocou, segundo as palavras do Embaixador da Alemanha Sr. Pruefer, “em estado de guerra latente” com o Eixo. A partir desse evento, navios brasileiros passam a ser atacados ao largo da costa americana e no Caribe. Os primeiros foram: Cabedelo, que desaparece depois de partir dos Estados Unidos, Buarque e Olinda, em fevereiro de 1942; Arabutan e Cairú, em março; Parnaíba, em maio.O primeiro ataque em águas do Brasil foi realizado pelo submarino italiano Barbarigo contra o Comandante Lira que, no entanto, não conseguiu afundar. Devido a estes e outros ataques contra nossa marinha mercante, o Brasil declara guerra ao Eixo em agosto desse ano. Ainda na vigência de nossa neutralidade, em 22 de março de 1941, um avião da Luftwaffe, a força aérea alemã, realizou um inopinado ataque ao vapor "Taubaté", quando este navegava no mar Mediterrâneo, de Chipre para Alexandria, no Egito. Depois de lançar bombas sem conseguir atingi-lo, metralhou a embarcação, feriu doze tripulantes e tirou a vida de um cabo-foguista.

Após o rompimento das relações diplomáticas, os nazistas aumentaram sua frota de submarinos em nossa costa. Até o fim da guerra, foram afundados 35 (ou 36) navios, a maioria constituida por mercantes junto ao litoral brasileiro, deixando 1.074 mortos. Um verdadeiro massacre, que gerou comoção nacional na época.

A Marinha de Guerra alemã instalou no litoral atlântico da França, na época sob controle da Alemanha, o Comando de Operações do Atlântico, comandado pelo almirante Karl Dönitz, de onde partiam submarinos alemães (U-boats) e italianos. Os submarinos eram letais: podiam carregar até 22 torpedos e traziam, geralmente, um canhão de calibre 105 mm no deck externo. Seu maior óbice era não poderem ficar submersos por muito tempo, sendo comumente avistados pelos aviões que patrulhavam a costa brasileira, sendo que rajadas de metralhadora no casco podiam causar estragos terríveis.

Os "lobos solitários", como eram chamados os submarinos alemães por não navegarem em comboio no Submarinos inimigos afundados na costa brasileira durante a Segunda Guerra Mundial Atlântico Sul, eram difíceis de afundar caso não fossem descobertos enquanto navegavam na superfície. Onze U-boats do Eixo, dos cerca de 25 que atuavam na costa brasileira, foram afundados: dez alemães e um italiano. Embora existam as coordenadas precisas dos locais de afundamento, até esta data, apenas um deles foi oficialmente localizado, o U-513 – afundado em 19 de julho de 1943.

Em abril, mês em que se comemora o Dia da Aviação de Caça (22), vale lembrar que a Força Aérea Brasileira, além de lutar nos céus da Itália, teve atuação

brilhante no combate aos submarinos alemães, em conjunto com os aviões norte-americanos do Esquadrão VP-74.

O fantasma do U-513 (Fonte: Bruno Marlon / YouTube)

O submarino U-199 foi surpreendido na superfície, ao largo do Rio de Janeiro, em 31 de julho de 1943, sendo atacado e afundado. A ação deu-se a 31 de julho de 1943, tendo a embarcação sido atingida por um avião norte-americano ao se aproximar da área do Rio de Janeiro. Convocados pela FAB, um avião A-2 Hudson e o Catalina "Arará", comandado por Alberto Martins Torres, localizaram, bombardearam com cargas de profundidade, e afundaram o submarino que ainda navegava à superfície.

(No início de 1944, Alberto Torres desliga-se do 1º Grupo de Patrulha, após completar 64 missões de patrulhamento, e seguiu voluntário junto ao 1º Grupo de Aviação de Caça, para combater na Itália. Com o final das hostilidades, sagrou-se como o piloto brasileiro com maior número de missões de combate sendo creditado no front do Mediterrâneo com 99 missões de ataque e 1 de defesa, totalizando 100 missões; tendo sido integrante e líder da esquadrilha Red, parte do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, comandado pelo Brigadeiro Nero Moura. O grande ás da FAB, Alberto Martins Torres, faleceu em São Paulo, em 30 de dezembro de 2001.)

Torres vs Kraus: a FAB e o afundamento do submarino alemão U-199 (Fonte: Sala de Guerra / YouTube)

Fontes: Poder Naval
U-boat Archive
Assoc. Bras. de Pilotos de Caça
Pontifícia Universidade Católica-RS
Tok de História
Revista SuperInteressante

1) Avistado, o U-199 foi atacado; 2) avariado, navegando em círculos após primeiro ataque; 3) maciço fogo de artilharia de ambas as partes, antes das bombas; 4) os tripulantes sobreviventes nos botes lançados pelos aviões da FAB

1) Avistado, o U-199 foi atacado; 2) avariado, navegando em círculos após primeiro ataque; 3) maciço fogo de ambas as partes, antes das bombas; 4) os alemães sobreviventes nos botes lançados pelos aviões da FAB

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