Campus de Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 29 de julho de 2021
História: No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (I)
A SPP e as cidades da linha

De Ourinhos a Cambará (1920-1929)

Em agosto de 1920, o presidente do Estado do Paraná, Caetano Munhoz da Rocha, assinou contrato com Antônio Barbosa Ferraz Jr. e outros fazendeiros da região de Jacarezinho para construção da Estrada de Ferro Noroeste do Paraná, que mais tarde (10 de março de 1924) passou a se denominar Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná (SPP).

A empresa ferroviária, formada por Major Barbosa Ferraz, seu filho Leovigildo, Willie da Fonseca Brabazon Davids, prefeito de Jacarezinho, Gabriel Ribeiro dos Santos e Manoel da Silveira Corres, iniciou a construção do primeiro trecho em 1923, ligando Ourinhos a Cambará, que teria a extensão de 29 quilômetros. O engenheiro responsável foi Gastão de Mesquita Filho.

A linha foi inaugurada em 12 de junho de 1924, quando partiu de Ourinhos uma composição com destino a Leoflora. A estação foi assim chamada em homenagem a Leovigildo Barbosa Ferraz e Flora Barretto Barbosa, filho e nora do Major Barbosa.

Entretanto, as disponibilidades financeiras dos fazendeiros do café estabelecidos no Norte Velho não eram suficientes para concluir com a desejável rapidez os trabalhos do trecho ferroviário projetado. Então, decidiram interessar investidores estrangeiros na aplicação dos capitais necessários à continuação das obras da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, que por essa época estava com a ponta dos trilhos na estação de Leoflora, a cerca de 8 quilômetros de Cambará.

A ferrovia ficou estacionada em Leoflora até que houve o acontecimento histórico da interferência da Missão Montagu nos assuntos econômicos e nacionais. Não tanto pela missão inglesa em si, mas pela participação de Lorde Lovat, que trazia consigo outras preocupações anexas àquelas de cunho político e econômico dos representantes de Rothschild.

Em 1924, Lorde Lovat inteirou-se das riquezas regionais e foi convencido da importância da continuação da SPP para o oeste, não apenas como meio de penetração, mas como de valorização das terras devolutas do estado do Paraná, isoladas no sertão do vale do Paranapanema, além do rio das Cinzas.

Em 1925, foi fundada a Paraná Plantations, subsidiária brasileira da Brazil Plantations Ltd., com a finalidade de levantar fundos de maior vulto para a compra de terras e construção de estradas de ferro e de rodagem necessárias à penetração e à colonização, como elemento de desenvolvimento das plantações e da população. Em São Paulo, foi fundada a Companhia de Terras Norte do Paraná, pessoa jurídica brasileira; sob a direção de brasileiros, na maioria, para ser a adquirente e vendedora das terras, em respeito aos melindres dos nativistas. Essa sociedade anônima seria controlada acionariamente pela Paraná Plantations de Londres, de onde viria todo o dinheiro necessário. O primeiro presidente dessa companhia foi o advogado Antônio Moraes Barros e Arthur Thomas, seu gerente administrativo.

Ainda em 1925, graças à injeção de capital inglês, foi concluído o trecho ferroviário Leoflora-Cambará.

A Companhia Marcondes de Colonização, Indústria e Comércio, assim que foi organizada a Companhia de Terras Norte do Paraná, como outras empresas colonizadoras, procurou a nova empresa anglo-brasileira para pleitear empréstimos. Solicitou dois mil contos de réis e acabou conseguindo essa quantia. Ela tinha a concessão para enorme gleba de terras entre o Pirapó e o Ivaí e construção de uma estrada de ferro. Muitas das terras dessa gleba eram griladas. Dessa forma, a Companhia de Terras Norte do Paraná assumiu o compromisso com o Governo do Paraná de liquidar as posses ilegítimas. O governo Caetano Munhoz da Rocha transferiu ainda para essa compradora o contrato da Estrada de Ferro Central do Paraná, que havia assinado com a Companhia Marcondes, que sem terras e sem ferrovia, foi à falência em 1927.

Em 1928, Afonso Alves de Camargo

Antônio Barbosa Ferraz Jr. (Major Barbosa) Caetano Munhoz da Rocha, Presidente do Estado do Paraná
Lord Lovat, um dos fundadores da Brazil Plantations Syndicate Ltd. Arthur Hugh Miller Thomas, primeiro gerente administrativo da Cia. de Terras Norte do Paraná
Inauguração da SPP: estação Leoflora, em 12 de junho de 1924 (Foto:  O Malho  28/06/1924) Inauguração da SPP: chegada do auto-ônibus com autoridades, em Leoflora, 12-06-1924 (Foto:  O Malho  28/06/1924)
Estação original de Ourinhos, inaugurada em 1908, de onde saiu o primeiro trem para o Paraná (Acervo: Francisco de Almeida Lopes) Antes de chegar a Leoflora, foi inaugurada a estação Presidente Munhoz, homenagem ao presidente do Estado (Acervo: Francisco de Almeida Lopes)
Estação de Ourinhos, construída em 1927, com ala para os trens da SPP (Foto: Francisco de Almeida Lopes) Defronte à estação, em 1927, após a inauguração (Foto: Autor desconhecido)
Estação de Cambará (Foto: Francisco de Almeida Lopes) Pátio e estação de Cambará (Foto: Francisco de Almeida Lopes)
Locomotiva Nº 3, uma das que faziam o percurso de Ourinhos a Cambará (Acervo: Francisco de Almeida Lopes) Equipe de Cambará - (Da esq. em pé) José dos Santos Lima, Joaquim Pinheiro, Asdrubal Nascimento (Dudu). (Sentados) Ramiro Dias, Armando Nascimento (chefe da estação) e Martins (telegrafista) (Acervo: Francisco de Almeida Lopes)
Igreja matriz de Cambará (Foto: Autor desconhecido) Pelos trilhos da SPP, rumo ao Paraná (Foto: Francisco de Almeida Lopes)

assumiu pela segunda vez a presidência do Paraná, dando sequência ao rodízio das oligarquias paranaenses no comando político do Estado. Afonso Camargo vendeu duas mil ações do Porto de Paranaguá e assinou contrato com a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná para seu prolongamento até o extremo oeste paranaense, passando logicamente pelas terras adquiridas pelos ingleses, além do Tibagi. Em 1929, Afonso Camargo torna-se sócio do Conde Matarazzo na Fazenda Santa Filomena.

Em Cambará, foi iniciada a construção da ferrovia para o oeste. Ali foi requisitado pessoal necessário para abertura das picadas na preparação do leito à base de picaretas, assentamento dos trilhos e para construção das estações em determinadas quilometragens.

Fontes:
Cornélio Procópio: das origens e da emancipação do município, Átila Silveira Brasil, 2ª ed., UENP, 2014
Meu Pai e a Ferrovia, José Carlos Neves Lopes, UENP, 2014
Memórias Ourinhenses, blog de José Carlos Neves Lopes

Artigos desta série

No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (I) - De Ourinhos a Cambará
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (II) - De Cambará a Andirá
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (III) - Andirá, Bandeirantes e Santa Mariana
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (IV) - Cornélio Procópio

Visitantes:



Compartilhe no LinkedIn