Campus de Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 28 de outubro de 2021
História: No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (III)
A SPP e as cidades da linha

Andirá (abril de 1930)

A construção da ferrovia foi avançando para oeste de Cambará. Em 11 de abril de 1930, a SPP inaugurou a estação Ingá, assim denominada devido a uma fruta silvestre abundante na região.

Em 1918, Bráulio Barbosa Ferraz e sócio compraram de Benedito Marcondes, uma área de 500 alqueires paulistas, no município de Jacarezinho, a que deram o nome de "Antas". Em 1928, Bráulio, com a esposa e filhos, veio residir nas "Antas".

A estação Ingá foi construída em terreno cedido por Bráulio, que confiava que o progresso da região seria acelerado pela ferrovia. Ele havia contratado um agrimensor com o objetivo de dividir partes de sua fazenda em lotes de tamanho reduzido, de cinco alqueires, e negociou os terrenos com os trabalhadores que trabalhavam na construção da linha, e com outros que ali chegavam para fazer a vida. O povoado, conhecido por Vila Ingá, na época distrito de Cambará, fora formado em 1928, a partir de terras loteadas por Barbosa Ferraz.

Entre os primeiros colonizadores, destacam-se Amadeu Bernim, Carlos Ribeiro da Silva, proprietário da priemeira casa comercial, Manoel Messias da Silva, Domingos Marcondes Machado, Firmino Corrêa, Raul Vaz e Dona Maria "Cearense", a primeira parteira do povoado.

Pelo Decreto-Lei Estadual nº 347, de 30 de março de 1935, o povoado de Ingá foi elevado a categoria de Vila, pertencente ao município de Cambará, com a criação do Distrito Jurídico e a instalação de Cartório. A emancipação política ocorreu oito anos depois, com seu desmembramento da Comarca de Cambará, em 31 de dezembro de 1943, por decreto-lei assinado pelo interventor Manoel Ribas, iniciando o ano de 1944 com a denominação de Andirá.

Bandeirantes (julho de 1930)

A Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná chegou ao km 82 em 1º de julho de 1930, onde inaugurou a estação denominada Bandeirantes. Mas o local da estação trouxe um grande problema, pois distava 3 quilômetros do patrimônio de Invernada, que havia sido fundado em 1929 por João Manuel dos Santos, nas terras compradas de Josefina Alves de Lima, e que integrava o município de Jacarezinho.

O acesso principal a Invernada seria necessariamente pela ferrovia, considerando que as estradas de terra ficavam intransitáveis em épocas de chuvas causando muito dissabor. Todo o desenvolvimento posterior do povoado se baseava na presença da estrada de ferro, mas seu traçado não permitia que os trilhos chegassem a Invernada.

Porém uma solução razoável foi obtida graças às atuações de Ozório Nogueira e Eurípedes Mesquita, com cartório, coletoria, hotel, correio, farmácia, casas comerciais e residenciais sendo transferidos para perto da estação. Com o tempo, desapareceu Invernada, surgindo o patrimônio de Bandeirantes, que foi elevado a município em 25 de janeiro de 1935.

Santa Mariana (julho de 1930)

A estação de "Santa Marianna" deve ter sido

O avanço da ferrovia e consequente colonização sacrificou gigantes da floresta, como esta figueira (Foto: C. Procópio: das Origens e da Emancipação..., 2014)A rua Goiás, em Andirá, 1945, mostrando alguns pés de café a sua margem (Foto: Folha de Andirá, 11/09/2009)
Casa São Carlos, fundada em 1929, primeira casa de comércio de Ingá (Fonte: Amália Kelli Rambaldi) Da esq.: João da Silva Braga, uma das filhas de Carlos Ribeiro da Silva, a esposa, ele e outra filha, em dezembro de 1940 (Acervo: João da Silva Braga)
Sebastião Caldas, na figueira que havia no Bosque Municipal de Ingá, atual Praça Santana, em 1939 (Acervo: João da Silva Braga) Ponte sobre o rio das Cinzas, em 1930, um trecho ainda não inaugurado na ocasião (Fonte: Correio Paulistano, 15/04/1930)
A estação de Bandeirantes por ocasião de sua inauguração, em julho de 1930 (Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil) Bandeirantes, possivelmente no início da década de 1930 (Acervo: Rafael Caetano)
Estação de Santa Marianna, com a Mata Atlântica, ao fundo (Foto: Francisco de Almeida Neves)

erguida em algum mês do ano de 1930; não foi possível obter a data precisa. Mariana Balbina Procópio Junqueira, apelidada de Anita, filha do Coronel Cornélio Procópio de Araújo Carvalho, era casada com o primo, Francisco da Cunha Junqueira. Francisco foi proprietário da Gleba Laranjinha, onde se localizava a Fazenda Santa Mariana. Esta fazenda contava com mais de oitenta mil pés de café de diferentes idades e em sua colônia viviam mais de quarenta famílias, trabalhando em regime de seis anos, de empreitada e de colonato. Administrativamente, tanto a gleba Laranjinha, de Francisco Junqueira, como a gleba Congonhas, da Companhia Barbosa – que era contígua – estavam vinculadas ao município de Cambará e à comarca de Jacarezinho.

Quando os trilhos da ferrovia passaram por suas terras, ao construírem a estação do km 107, Francisco conseguiu que a SPP lhe desse o nome de Santa Mariana, homenageando sua esposa. Ao prosseguirem o avanço por suas terras, à estação do km 125 foi dado o nome de Cornélio Procópio, em homenagem a seu sogro e tio, o Coronel Cornélio Procópio de Araújo Carvalho, que falecera em 1909.

Fontes:
Cornélio Procópio: das origens e da emancipação
do município
, Átila Silveira Brasil, 2ª ed., UENP, 2014
Meu Pai e a Ferrovia, José Carlos Neves Lopes,
UENP, 2014
Democratizando o processo de formação histórica do município de Andirá (PR): a história vista de baixo
Amália Kelly Rambaldi, UENP, 2011
Estações Ferroviárias do Brasil

Artigos desta série

No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (I) - De Ourinhos a Cambará
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (II) - De Cambará a Andirá
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (III) - Andirá, Bandeirantes e Santa Mariana
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (IV) - Cornélio Procópio

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