Campus de Cornélio Procópio
Cornélio Procópio, 21 de dezembro de 2021
História: No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (IV)
A SPP e as cidades da linha

Breve retrospecto

Em 24 de setembro de 1925, fora fundada em São Paulo a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) com o capital, principalmente inglês, de "hum mil contos de reis", com uma diretoria constituída por ingleses e figuras proeminentes do mundo empresarial brasileiro. Em outubro, o governo do Paraná vendeu 840 mil hectares de terras à CTNP, equivalentes a 13.165 km2, na região entre os rios Tibagi e Ivaí, por 6.776 contos de réis. Recebeu mil contos de réis à vista, deixando o restante para ser pago em doze anos, à medida que os lotes fossem vendidos.

Esse foi o grande incentivo para a que os ingleses adquirissem o controle da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná (SPP), em 1928, designando Ourinhos como sede administrativa da empresa. É então que se inicia a rápida expansão da ferrovia, visando facilitar a venda e valorizar as terras adquridas pelos ingleses.

Cornélio Procópio (abril de 1930)

A estação Cornélio Procópio foi aberta ao tráfego no dia 1º de dezembro de 1930. A razão do nome é apenas sentimental. O Coronel Cornélio Procópio era sogro de Francisco da Cunha Junqueira e também seu tio, sendo pai de sua esposa, Mariana. A família aceitou a passagem dos trilhos da SPP por suas terras com a condição das estações receberem os nomes de Santa Mariana e de Cornélio Procópio, homenagem ao Coronel, que falecera em 1909. A povoação ainda era conhecida por Km 125.

Acontecimento de destaque foi a visita do Príncipe de Gales, Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, em 1º de abril de 1931. Aproximadamente às 11 horas, chegou o trem especial da Estrada de Ferro Sorocabana. O príncipe foi até Catupiry e Jatahy, e, quase à meia-noite, partiu de volta a São Paulo.

Antônio de Paiva Júnior e Francisco Moreira da Costa compraram a gleba Laranjinha, mas seus antigos proprietários já haviam vendido alguns lotes e negociado com a SPP a faixa de terreno onde passaram seus trilhos, já a caminho do Tibagi.

Em 1935, Antônio de Paiva Júnior passa procuração a seu jovem irmão, José Tavares Paiva, que agiliza os planos de loteamento da colonizadora Paiva e Moreira.

O loteamento urbano foi planificado para as cercanias da estação Cornélio Procópio. Foram projetadas, ruas de 15 metros de largura e avenidas de 20 metros, praças com 6,4 mil metros quadrados e determinadas algumas áreas para estabelecimentos públicos e de lazer. Na planta registrada no Cartório de Registro de Imóveis da comarca constam 355 datas liquidadas, 73 comprometidas, em curso de venda, e 182 não vendidas. Em volta do loteamento urbano existiam 22 chácaras completamente liquidadas. A quadra da futura Praça Brasil havia sido doada para a igreja e nela já estava edificada a primeira capela de madeira.

Aos poucos, foram surgindo casas ao longo da linha férrea. Depois do loteamento comercial pela Colonizadora Paiva e Moreira, o aspecto das casas foi melhorando e começou o surgimento de um pequeno comércio que se desenvolveu até chegar à Cornélio Procópio de agora.

Entre as inúmeras homenagens que acresce seu currículo, a cidade foi tema de música: a moda de viola "Cornélio Procópio", de autoria do consagrado compositor Palmeira (nome artístico de Diogo Mulero), gravada nos estúdios da RCA Victor em 9 de junho de 1953, sendo interpretada pela dupla Palmeira & Biá, cuja letra atesta o município como a capital mundial do café, atributo inerente à localidade.

Anúncio publicado pela CTNP no jornal "A Voz do Povo", de Ourinhos Anúncio da abertura da linha para Cornélio, veiculado pela SPP, em novembro de 1930, no jornal "A Voz do Povo", de Ourinhos
A "Maria Fumaça" cruza o Rio das Cinzas sobre a ponte metálica construída pelos ingleses, em 1930 (Foto: Francisco de Almeida Lopes) A estação Cornélio Procópio, aberta ao tráfego no dia 1º de dezembro de 1930, por volta de 1932 (Foto: Francisco de Almeida Lopes)
Rua Francisco Junqueira, atual Av. XV de Novembro, em 1931 (Fonte: C. Procópio, das Origens e...)
Preparativos para a chegada do ilustre visitante inglês, em 1931 (Fonte: C. Procópio, das Origens e...) 1º de abril de 1931, casa dos ingleses preparada para hospedar o Príncipe de Gales e sua comitiva (Acervo: C. Procópio, das Origens e...)
1º de abril de 1931, a foto histórica sob o arco de madeira, com o dístico "Welcome", encimado pelas bandeiras do Brasil e Inglaterra, na visita do Príncipe de Gales a Cornélio Procópio (Fonte: C. Procópio, das Origens e...) A estação de Cornélio Procópio em seus primórdios; ao fundo, à esquerda, algumas casas deixadas pelos administradores ingleses (Fonte: C. Procópio, das Origens e...)
Rua Francisco Junqueira (Av. XV de Novembro), na década de 1930 (Foto de autor desconhecido)
Ainda em 1931, a ferrovia segue para Congonhas (Fotógrafo desconhecido) Algumas pessoas na plataforma da estação Congonhas, inaugurada em 3 de maio de 1932 (foto da época)(Foto: Francisco de Almeida Lopes)
Prosseguindo de Congonhas para o oeste, a ferrovia construiu a ponte metálica sobre o Rio Congonhas, pré-fabricada e que era montada no local. (Foto: Francisco de Almeida Lopes) Praça Brasil, em abril de 1937, com vista da cidade em direção à estação. (Fonte: C. Procópio, das Origens e...)
Desfile de 7 de setembro de 1942, na Av. XV de Novembro (Fonte: C. Procópio, das Origens e...) A filha do fazendeiro vinha à cidade de "trolinho", para a igrejinha da Praça Brasil, em 1945 (Fonte: C. Procópio, das Origens e...)
Cornélio em junho de 1950 (Acervo: Naila Arrebola) A matriz ainda com a torre inconclusa, por volta de 1951 (Acervo: Geraldo Teodoro)
Vista parcial, Av. XV de Novembro e o Cristo Rei, cerca de 1985 (Cartão postal - Acervo: Newton C. Braga)

Fontes:
Cornélio Procópio: das origens e da emancipação
do município
, Átila Silveira Brasil, 2ª ed., UENP, 2014
Meu Pai e a Ferrovia, José Carlos Neves Lopes,
UENP, 2014

Artigos desta série

No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (I) - De Ourinhos a Cambará
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (II) - De Cambará a Andirá
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (III) - Andirá, Bandeirantes e Santa Mariana
No tempo do trem, de Ourinhos a Cornélio (IV) - Cornélio Procópio

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